Homenageada comunidade afro bantu do Brasil

21 fev
21 de fevereiro de 2015


Bailundo/Angola – O coordenador nacional do Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu, ILABANTU / Nzo Tumbansi), Walmir Damasceno (Taata Nkisi Katuvanjesi) foi homenageado sexta-feira (20.02.2015) pela Corte do Reino do Bailundo com um cerimonial tradicional que começou com a apresentação de danças encenadas que reportam o modo de vida das populações locais e a era de escravidão.

O momento emblemático proporcionado pela Ombala Mbalundo (Sede Administrativa do Reino do Bailundo), marcadamente cultural, teve o seu auge no momento em que o Rei Ekuikui V (Armindo Francisco Kalupeteca), ao som de um cântico e de uma dança apropriada, expressou o seu profundo agradecimento com a entrega de uma ovelha à Walmir Damasceno, em nome das comunidades tradicionais de matriz africana bantu de maior referência na América Latina, localizada na Grande São Paulo, considerada a Selva de Pedra.

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Poucos imaginam que a capital económica do Brasil tem uma comunidade afro bantu bem organizada. Mas, Walmir Damasceno sustenta que “as comunidades afro bantu no Brasil não conseguem se organizar no sentido de reproduzir a grandeza dos reinos africanos notadamente tradicionais, principalmente de Angola, mas o ILABANTU/Nzo Tumbansi tem por preocupação oferecer a sua contribuição na revalorização dos aportes culturais africanos e seus descendentes no Brasil e em toda a América Latina, fortalecendo a ancestralidade africana na diáspora”.

O representante brasileiro das comunidades tradicionais de matriz africana bantu teve a ocasião de conhecer dois locais sagrados da Ombala Mbalundo em que repousam os restos mortais de alguns dos 35 reis que dirigiram o Reino do bailundo. A Ombala Mbalundo teve como rei fundador um notável caçador de nome Katiavala.

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Durante a apresentação dos aportes tradicionais da Ombala Mbalundo, Walmir Damasceno ouviu com profundidade os momentos mais marcantes da história de cada um dos tronos que dirigiu o Reino do Bailundo e, entre estes, o tronco familiar de Ekuikui tem sido o que mais sucessões oferece à Ombala Mbalundo.

Walmir Damasceno partilhou nessa homenagem o melhor do cultura brasileira, oferecendo ao soberano Ekuikui V a dikanza brasileira (o reco-reco muito usado no samba), o tamborim (uma herança africana bantu e um instrumento de precursão muito usado pelos artistas e amantes do samba brasileiro) e a chumbeta, um colar de missangas que representa a resistência da africanidade bantu no Brasil, principalmente aquela que está relacionada ao culto aos ancestrais e antepassados.

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Antes da cerimónia de recepção tradicional ocorrida sexta-feira na Ombala Mbalundo, o representante das comunidades afro bantu do Brasil esteve na sede da Administração Municipal do Bailundo para um encontro de cortesia com o administrador da região, Ireneu Cândido Leornardo Sacaála, e sua equipa de trabalho. Sábado, Walmir Damasceno deve tomar contacto com outras realidades da Ombala Mbalundo.

Walmir Damasceno está em Angola para formalizar o convite para a ida do Rei Ekuikui V ao Brasil, em Abril próximo. A viagem de Armindo Francisco kalupeteca ao Brasil continua a mobilizar toda a atenção dos Governos de Angola e do Brasil, com maior ênfase para as diversas comunidades de tradição brasileira afro bantu.

Texto e Fotos do Jornalista José Armando Estrela

2 replies
  1. Taata Ngunz'tala says:

    Mba kukuna Ngana Nzambi Mpungu!
    Parabéns!
    Aqui do Brasil, estamos mantendo nossas tradições herdadas dos vários povos bantu.
    Que seja um intercambio promissor!

    Responder
  2. Valdir dos Santos says:

    Estou interessado, nesta visita e gostaria de ter mais informaçãoes
    Considero tal integração é conveniente para os nossos interesses

    Responder

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